Acolhendo a vulnerabilidade – por Brené Brawn

2 de dezembro, 2015 - POR Andre Moura

Brené Brawn é uma pesquisadora do comportamento humano. Que fala sobre o poder da vulnerabilidade. O vídeo abaixo está em inglês. Se você não entende ou prefere ler, eu fiz uma tradução que está abaixo do vídeo. Aproveite, é muito interessante e inspirador :)

Vulnerabilidade e empatia

Nós pensamos em vulnerabilidade como uma emoção sombria. Há muita gente que fala em emoções positivas, emoções negativas, emoções iluminadas, emoções sombrias.

Nós, (a maioria de nós, pelo menos), pensamos em vulnerabilidade como uma emoção sombria.

Nós pensamos nela como a raiz do medo, da vergonha, da tristeza, da decepção, da incerteza.

Coisas que nós não queremos sentir, certo? Coisas como: “eu não quero estar vulnerável porque isso significa estar com medo, estar incerto, estar em risco, estar exposto, estar triste”.

Então o que fazemos é nos armar. E dizemos “eu não quero cair nessas emoções sombrias, eu não vou me deixar ser vulnerável!”.

Mas aqui está o que eu aprendi em minha pesquisa, e que eu coloquei em movimento na minha própria vida, provocando uma mudança profunda:

Vulnerabilidade é o centro das emoções difíceis, mas é de lá que nascem as emoções positivas que precisamos em nossas vidas!

Amor.

Pertencimento.

Alegria.

Empatia.

Quantos aqui não concordam que temos hoje um déficit sério de empatia em nossa cultura? É muito claro, não?

E sem vulnerabilidade não há empatia!

Em uma cultura onde as pessoas têm medo de ser vulneráveis, não dá para ser empático!

Empatia não é uma resposta automática. Se você compartilha algo comigo que é difícil, para que eu consiga ser verdadeiramente empático, eu tenho que entrar no que você está sentindo. E isso é estar vulnerável!

Pois é, não pode haver empatia se não houver vulnerabilidade!

Porque você acha que a história que vou contar acontece assim:

A filha chega em casa e fala em lágrimas: “mãe, ninguém sentou comigo no recreio hoje! E tiraram sarro das minhas roupas! E aí, ninguém mais fala comigo! E derrubaram no chão todo meu material!”. E a resposta da mãe é: “Eu não te disse?! Onde estão aquelas roupas legais que eu te comprei?!? Porque você não usa?! E prende o cabelo! Já não te falei?!”

Isso é uma resposta empática? Não, é uma resposta que provoca vergonha.

Pode acontecer de uma mãe que ama profundamente sua filha responder assim? Por favor, seja sincero e responda que sim, não se iluda, por favor. Se você que está escutando é um pai ou uma mãe conhece pelo menos o impulso de dar essa resposta. Talvez não nesse contexto, mas em algum contexto.

Mas porquê? Porque isso acontece?

Onde está o acesso à vulnerabilidade? Onde está a empatia?

Você não consegue acessar empatia, se você não estiver disposto a estar vulnerável.

Pois então, se minha filha chega em casa e me conta essa história, adivinha o que eu tenho que fazer: eu tenho que acessar aquela menina de mãos suadas, da sétima série, que vive dentro de mim; e eu tenho que sentir “Nossa! Como isso é difícil!!!”…

“Sinto muito, querida! Isso já aconteceu comigo! Já aconteceu comigo quando eu estava na escola e aconteceu comigo semana passada… Vamos conversar sobre isso?”

Mas você não consegue chegar aí sem vulnerabilidade. Você não consegue fingir empatia.

Sobre vulnerabilidade e criatividade (e sobre a dificuldade de enxergar)

Inovação e criatividade nascem da vulnerabilidade.

(Essa é minha parte favorita. Eu falei sobre isso tudo em um TED, nesse ano, em Long Beach. Eu contei essa história: )

Em 2011, no mesmo ano em que minha fala no TED se espalhou pela internet e teve milhões de acessos, eu comecei a receber convites das maiores empresas do mundo: “Nossa! Nós adoramos sua fala no TED! Foi incrível! Por favor, venha dar uma palestra aqui para nossos líderes executivos!”.

E eu dizia: “Ok! Do que vocês querem que eu fale?”.

E eles: “Não importa! Desde que você venha!… Só, se você puder deixar de lado essa história de vergonha e vulnerabilidade…”.

Todos convites eram assim! Tirando, talvez, 10% deles.

E eu dizia: “Como assim?”

E eles: “Bom, você é divertida. E você fez essa pesquisa incrível. Nós achamos que você encaixa bem com o que fazemos aqui…. Só que nós não lidamos com esse tipo de coisa por aqui. Por isso, se você puder não mencionar vulnerabilidade e vergonha…”.

Então, só para dar um pouco de corda, eu dizia: “Ok, sobre que vocês querem que eu fale? Rendimentos do quarto trimestre? Balanço patrimonial? Tipo… eu não vou falar sobre isso. Então, sobre o que vocês gostariam que eu falasse?”

E eles: “Bem… a grande questão: criatividade e inovação

Eu: “Hummm”

Eles: “E mudança… Nós estamos passando por muitas mudanças”

Ha! Ok.

Vulnerabilidade é o lugar de onde nascem criatividade, inovação, mudança. E a razão da crise que está acontecendo é que não estão falando sobre vulnerabilidade! Imagine: criatividade e inovação sem vulnerabilidade?!

“Eu estou pedindo que você crie um produto que funcione…

Que nunca foi feito antes…

Que seja completamente inovador…

Eu preciso que você seja criativo…

E eu preciso que você apresente esse produto para um grupo de pessoas, que pelo menos metade não vai entender e/ou vai achar que se trata de algo estúpido.”

Não, não, não. Nada de vulnerabilidade aí!

***

A palestra segue, mas o vídeo termina aqui. Se você se interessou e quiser conhecer mais sobre o que ela fala, procure por Brené Brawn na internet, tem muita coisa sobre ela, e é fácil de encontrar.

Um abraço e boa semana!

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