As pessoas não mudam… mas então, qual o sentido de conversar?

6 de setembro, 2015 - POR Andre Moura

conversa_fiadaMuitas vezes eu escuto pessoas propagarem uma afirmação que sempre me incomoda um pouco: “as pessoas não mudam”. Incomoda, mas eu costumo respeitar o que eu escuto repetidamente. E refletindo, sinto que parte dessa afirmação tem valor.

Primeiro deixe-me explicar por que me incomoda. Obviamente eu acredito que as pessoas mudam, eu já vi isso, eu mesmo já mudei muito. Dizer que “as pessoas não mudam”, por essa perspectiva, me soa então como uma resignação, um acomodamento e é disso que não gosto.

Mas, como disse, entendo que há valor embutido nessa afirmação. Diria que vejo, na verdade, dois valores importantes.

O primeiro deles é que todos temos uma essência, algo profundo, real e essencialmente bom, que se mantém constante, seguro, perene. Provavelmente nosso valor mais íntimo. E pensando nisso, entendo um sentido profundo de se dizer “as pessoas não mudam”. Há aí uma necessidade real de acreditar nessa identidade.

O segundo valor embutido na afirmação de que as pessoas não mudam, ao meu ver, é um muito importante. Tem a ver com se responsabilizar pelos caminhos da própria vida. Pode ser explicado pela seguinte lógica: “estar numa relação esperando que o outro mude para que eu possa ser feliz é deixar nas mãos do outro a minha felicidade! ”
Mas então por que entrar em conversas difíceis, se não se deve esperar que o outro mude? Essa pergunta é o coração deste post. E eu vou propor duas respostas para ela.

peixes-no-aquarioResposta número 1. Para dar A CHANCE do outro mudar! Dar a chance ao outro de se conectar com você. De desfazer mal-entendidos e esclarecer os fatos, de entender o que você sente, de conhecer suas necessidades. De sentir empatia e ser tocado. E muitas vezes de se conectar consigo mesmo, de entender os próprios sentimentos e necessidades. Então uma conversa assim passa a ser um ato de amor e não uma luta por fazer o outro mudar.

mind-changeResposta número 2. Para abrir espaço para VOCÊ MESMO MUDAR! Tenho percebido em minhas experiências, que uma boa conversa necessariamente depende de se estar aberto a escutar. Por mais que o outro esteja “errado”, muito “errado”, é muito enriquecedor entender onde “eu estou errado”. Mesmo que pareça que o meu “erro” é infinitamente menor que o do outro.
Eu sei que isso é difícil de escutar. Muitas vezes uma conversa difícil é permeada de raiva e a raiva quer destruir o outro, não tem jeito. Como lidar com essa raiva… isso é um assunto longo e falaremos dela em outro post.

Para terminar, gostaria de deixar algo que penso e que resume o que foi dito até aqui. Ter esperanças que o outro mude em algumas circunstâncias é natural, por vezes até inevitável. Isso é diferente de depender da mudança do outro para ser feliz, o que não me parece bom. E algumas vezes é você quem tem que mudar.

Esse post foi útil? Sentiu falta de alguma coisa? Gostaria de complementar? Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós, ficaremos muito felizes de saber o que você pensa e sente e para termos uma troca mais significativa.

Fields marked with an * are required